Rosas num porta retrato
ATO 1
Me lembro dos dias com sol na janela,
dos sorrisos que se vagavam pelo ar,
das palavras carinhosas que dizíamos sem pensar.
Naquela lembrança de quando o tempo parecia leve e escapavam às horas,
Os incontáveis gestos pequenos que guardavam promessas.
Os olhares que falavam tudo.
As tardes correndo em silêncio cúmplice,
os planos traçados entre mãos entrelaçadas,
e o riso, livre, como se o mundo não existisse.
Era tudo simples , e mesmo assim,
tão cheio de vida, tão cheio de nós.
Hoje, quando o silêncio é o que resta,
fecho os olhos e o que vejo...
são apenas os momentos felizes.
ATO 2
Agora o silêncio ecoa nas paredes invisíveis,
palavras novas, que um dia fizeram sentido são apenas ruído,
Sorrisos desapareceram sem deixar marcas ou memórias.
Os gestos que eram rotina perderam o sentido,
as promessas desfeitas somem no ar sem deixar rastros,
e o olhar, antes cheio de significado, agora é vazio.
As tardes se estendem, sem direção,
os planos, agora irrelevantes, se perderam sem importância,
e o riso, que um dia enchia o espaço (pendurado na parede),
não faz falta, não é mais lembrado.
O amor foi destilado em posse,
Só saudade de ter, de ser, estar.
E hoje, quando fecho os olhos,
não há nada para ver, nada para sentir