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Espelho espelho meu

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Não sei como entrou dentro da minha cabeça, mas senti o cheiro de sangue. O ar ficou grosso, pesado, violento a sala está ficando apertada demais para duas mentes. Você está aqui. E não para de falar e eu ouço seu silêncio arranhando as paredes do meu crânio. Cada barulho é um grito insuportável. Se piscar, eu sinto a lâmina no ar. E você acha que eu não percebo? Eu vejo — tudo — agora quero ver. Acha que pode se esconder atrás de certezas? Eu corto cada sílaba antes que ela chegue à minha pele. Meus olhos são suas iscas, mas já mastiguei venenos piores. Fique. Ou vá. Tanto faz. Eu já aprendi a conversar com os monstros que me olham no espelho.