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Mostrando postagens de outubro, 2024

Velho Amigo

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Saudades de um grande amigo... Caminhamos juntos, tantas vezes, lado a lado. Compartilhamos o tempo, que parecia eterno, o riso que nunca se acabava, e aquelas piadas e momentos, mesmo que nada fizesse sentido. Hoje você é uma história. Uma boa história, aliás. Está lá na prateleira, entre as lembranças que a gente nem procura, mas que, quando encontra, dá uma risada. A vida deu seus giros, te levou para lá, eu fiquei para cá. Entre mudanças de cidade, um emprego ali, relacionamento aqui, e a gente esqueceu que a distância não era só geográfica. De vez em quando, aparece sua foto, e eu penso: “como ele conseguiu deixar o cabelo assim?” Ou lembro de um momento seu incrível no jogo, aqueles que achavamos graça. A verdade é que me faz falta saber que você ainda está por aí, com aquele humor estranho e com os conselhos que nunca segui. Talvez um dia a gente se encontre, numa esquina qualquer, e faça de novo carteado que nunca precisava nem de papel. (Um milhão de vida kk)

Um Passado Pesado

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Eu me lembro de você. Naquele tempo, as palavras eram outras, mais duras, mais densas, também mais carinhosas, e a gente sorria de um jeito que fazia tudo parecer ser fácil, mesmo não sendo. O silêncio não era ausência mas era pra mim, era a respiração do que não queria ser dito, e era preciso dizer. E a dor, quando aparecia, era só mais uma peça, encaixada no quebra-cabeça da nossa falta de jeito. Havia uma urgência muda nos olhos, nas mãos, um pacto invisível entre a coragem e o medo e algum joguinho. Éramos o que não cabia em qualquer moldura, o que escapava da lógica, do tempo. O rastro disso não tem nome, mas pesa, em algum lugar profundo onde o esquecimento não alcança e a lembrança não precisa ser mais explicada.

Lábios

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Silêncio Nosso passado, feito de sol e de maresia, ainda brilha no vão das minhas memórias, mas o fim que chegou, rouba as cores do dia, deixando o gosto amargo nas nossas histórias. Eu guardo palavras, tão presas, caladas, que nunca escorreram dos lábios que são teus. O que ficou, meu amor, são lembranças veladas e um "eu te amo demais" preso aos olhos meus.

Será?

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Será que eu tenho espaço aí? Num cantinho qualquer, Para os seus sorrisos,  quem sabe pra um abraço? Para perguntar como foi seu dia? Será que eu caibo do seu lado? Sem pesar ou ferir? Sem gestos antigos, sem palavras pesadas. Cabe fazer a vida leve? Será que cabe?

Um Homem Melhor (conto)

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Ele acendeu o cigarro com as mãos firmes, mas o gesto parecia trêmulo, quase desleixado. Entre o filtro e a primeira tragada, desviou o olhar para a janela. Não havia luar, só a claridade morta dos postes da rua vazia. Sentia uma dor abafada, algo que insistia em agarrar o peito como uma sede antiga. Saudade. Só quem já viveu entende o que é essa presença incômoda, a ponto de tirar a pessoa do próprio eixo. Aquele encontro havia sido o último, disso ele sabia. Na verdade, sentira isso desde o instante em que ela lhe disse “adeus” pela primeira vez, com a voz mansa de quem não está indo embora de verdade. Anos se passaram, e ele nunca encontrou um jeito de se libertar. O tempo se arrastava como uma sucessão de dias iguais, mas ele ainda a enxergava nas sombras dos outros, num perfume perdido, em cada detalhe das coisas que já não eram dela e ainda assim carregavam algo que ela havia deixado. Na mesa ao lado da janela, espalhou umas fotografias antigas, amareladas. Olhou uma a uma, como ...

A Sala Está Vazia

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A noite cai, e tudo se torna quieto. Agora o espaço ao meu redor parece maior, mais frio, mais vazio. Lembro dos sorrisos que passaram por aqui, dos olhares que encheram a sala de vida. Agora, só o silêncio me faz companhia, revelando tudo o que falta. Os dias vão seguir, mas algo em mim ficou no passado. E é uma ausência que pesa, uma coisa dentro de mim que persiste. Sinto falta desse algo que se foi mas nunca deixo de lembrar. Parece saudade, parece solidão, carência mas é dor. Sempre lembrando de tudo que já vivi, e dói reviver na memória.

Estou me recuperando

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No começo, é tudo um vazio esquisito. Você acorda e demora a entender que acabou, e aí, quando cai a ficha, dói tudo de novo. Fica aquele aperto no peito, como se o mundo tivesse dado uma volta e te deixado de fora. E as lembranças... meu Deus, são tantas. Toda conversa, cada lugar que a gente foi, até as coisas mais bobas viram uma espécie de fantasma. E aí tem as fotos, né? Nas redes, no celular, em todo canto. Eu passo por elas, tento fingir que não vejo, mas estou me recuperando. Cada coisa que tenho lembra a gente. Sentar no sofá, que passávamos as horas, a cozinha, que virou o lugar preferido para nos  agradar. Tudo ainda está cheio de você, até o silêncio. Às vezes eu acho que vou te ver voltar, que de repente a campainha vai tocar e você vai estar na porta, me olhando. Mas não consegue me tocar. E eu fico nessa, tentando não pensar, mas estou me recuperando. A galera fala que é só dar tempo, que o tempo cura tudo, mas eles não sabem o quanto é difícil. Aquela mensagem de bo...

Apenas os Ecos

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No tumulto dos caminhos que escolhi, Encontrei espelhos quebrados do passado, Reflexos distantes do que já fui, Nas sombras que caminham ao meu lado. As vozes do tempo ainda sussurram, Fragmentos de quem me tornei, Perdido em mares que nunca naveguei, Buscando um farol, uma luz que perdura. Os ventos da mudança me guiaram, Para além das ilusões que criei, E as correntes que me seguravam, Soltaram-se no momento em que acordei. Há cicatrizes que o mundo não vê, Marcas invisíveis que carrego em mim, Mas o que importa é o que ainda há de ser, O que deixo florescer dentro de mim. Não posso controlar o que passou, Nem as sombras que sobre mim pairaram, Mas posso trilhar um novo caminho, E encontrar a paz onde os ecos cessaram.

Entre Silêncios e Gritos

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Oi, playboy. Vamos ver o que você tem pra mim, que parque guarda no bolso, qual o caminho que esse Uber leva? Você, tão quieto, posso tentar sentir o que esconde? Minha tia recebe visitas, não se preocupa. Estou confortável aqui, gostou da minha pele, da roupa íntima que não te mostrei? Sei do seu problema, tímido demais pra enfrentar o mundo. Eu já pensei em construir uma família. Tenho um filho, mas ele está com meu pai, longe da confusão. Tenho um namorado. Não sei por que estou te contando, mas ele me bate. Me faz ser outra, me empurra pra longe de mim mesma, tem cerveja? Confio que isso fica entre nós. Ele foi o primeiro. O pai do meu filho, o mesmo que mente, que nega até o que fez. Sinto falta da minha mãe. Meu pai, ele é um servidor público, rígido, mas cuida do meu filho, do que sobrou de mim. Por favor, encontra meu filho. Me ajuda a voltar, minha prima diz que vai estar lá, me estender a mão. Mas você... Você, com esse jeito que desprezo, melhor ir embora. Vaza. Anjo. ...

Necessidade

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As sombras se erguem, dança sem freio, Lembranças ocultas no peito alheio. Caminhos que fogem da luz que se vê, Mas no escuro, eu me encontro, e é aqui que sou eu. Os vícios profundos que moldam a pele, Vozes de dentro, segredos que ferem. O toque incerto, desejos carnais, Deslizam na alma como mares voraz. Em becos escuros, a vida se esvai, Mas são nessas frestas que o sonho se faz. Eu sigo perdido, mas sempre a andar, Pois o caos é a ordem que me ensina a amar. As necessidades da noite me guiam, E o que me consome é o que me alivia. No vazio há força, na dor há prazer, Pois é nas trevas que eu aprendo a ser. O silêncio que grita na escuridão, Faz do medo a minha salvação. Eu corro ao encontro de quem me perdi, Nas sombras, enfim, eu volto a existir.

Sinais

No segundo ou terceiro encontro, com peso na voz, ela revelou que jamais havia recebido uma flor. Levantei-me do barzinho sem pensar duas vezes e, em minutos, voltei com um buquê em mãos. A expressão dela, naquele momento, foi a mais linda que já presenciei, uma mistura de surpresa e encantamento que jamais esquecerei. Quando decidimos dividir um lar, as flores tornaram-se um hábito. Eu as trazia com frequência, enchendo cada canto da casa com cores e perfumes, como uma promessa silenciosa de amor. Mas o que aconteceu com as flores? Elas, como todas as coisas, foram mudando. Algumas murcharam com o tempo, outras perderam o brilho nas sombras do cotidiano. O encanto que traziam nas primeiras vezes se dissipou, talvez indicando amor esfriando, ou porque o tempo, às vezes, rouba o frescor dos gestos. As flores que antes enchiam o ar de presentes agora eram parte da mobília, quase invisíveis na rotina. E, de repente, sem ninguém dar falta, parei de trazê-las. O sentimento ia se apagando, t...