Oi, Mãe (2017)
Oi mãe,
Eu espero que você esteja melhor do que antes agora,
Não sei como será o futuro, ou se a verei de novo,
Agora é janeiro e você não teve como me dar feliz ano novo,
Achara essa carta, eu não sei como será o futuro.
Eu escrevi essa carta em todos os lugares para você,
Haverá de achar, se melhorar, melhore, melhore, me ache,
Roubaram você de mim, não te vejo como sua doença a mim,
Sumiram com nossa amada doce sorridente até,
Eu sinto a sua falta mais do que posso dizer,
Eu penso em você mais do que posso contar,
Eu me arrependo mais do que não percebi,
Eu vejo agora tudo que era, amor, por mim,
Eu deveria ter dito isso todos os dias,
Eu te amo mãe, eu te amo muito,
E nem que por uma bronca faria tudo,
Eu era mimado demais para ver,
Eu estou sempre sozinho agora,
Não interessa a ninguém o médico falando,
Me culpam de tudo, a todos hoje é certo isso,
Me tiraram de perto, conseguiram sumir comigo,
Eu não sei o que será do futuro, me ache se conseguir,
Nem que seja no céu, eu espero uma palavra sua, só uma,
Eu queria te contar tantas coisas bacanas, ver você sorrindo,
Sem momento nenhum para coisas tristes, não daria isso mais,
Sem imaginar nada de seu aneurisma isso e aquilo,
Foram anos sem nem um olhar, falar, nada,
No dia seguinte, dia das mãe, no trabalho, estava na rua,
Eu vi ambulância chegar com você. Filho nenhum merece ver,
Caso não contaram.
Eu cuidei de você, todos os dias que pude,
Eu era um leão, irreconhecível como diziam,
Mas eu estava lá todos os dias e fiz o certo,
Era preciso ser só para você, fui, e por isso teve melhor,
Eu sei, não irão contar a você. Não importa.
Mãe, eu só queria te pedir desculpas,
Eu não fui fácil, eu aprendi agora,
Eu te amo muito, eu vejo agora o que queria ensinar,
Me ache, mãe, nem que seja para responder:
Oi, mãe, você me ouve?