O amor é uma guerra
Entre ruínas, avanço,
com os pés feridos
e o peito em brasas.
Sou soldado sem pátria,
lutando em solo infértil,
onde o amor é batalha
e cada suspiro, uma ameaça.
No horizonte enevoado,
te vejo, meu fantasma,
meu desejo e minha dor,
a chama que me consome
e me leva ao confronto,
um duelo onde não há vencedor.
Teus olhos são lâminas,
me cortam em silêncio,
e teus braços, trincheiras
onde sou feito prisioneiro.
Teu toque, um golpe certeiro
que me fere, mas me prende,
feito de fogo e tempestade,
um veneno ao qual eu me rendo.
Dançamos no caos,
passos incertos,
como sombras num campo deserto,
onde as palavras são mísseis
e as promessas são estilhaços,
explodindo no vazio
desta guerra sem armistício.
Se o amor é luta,
sigo avançando,
mesmo que o chão ceda,
mesmo que o peito arda,
pois já conheço o final,
já sei que não há trégua,
apenas o eco distante
de um coração que se parte,
em meio ao silêncio
dessa guerra que me marca.
Que venha o embate,
que eu caia ou me erga,
pois na guerra do amor
sou soldado e sou ferida,
sou a lança e o escudo,
e na última batalha
me lanço sem medo,
pois a vitória é amarga,
mas a derrota me consola,
neste campo desolado
onde o amor
é meu único credo.