Nunca vai embora

Como a chuva que cai sem pedir,
eu também, desavisado, deixei-me sentir,
e de todas as coisas que me escapam,
é o teu rosto que insiste em me perseguir.

E cada nota daquela canção,
guarda um pedaço da nossa solidão,
como se as palavras cantassem o que não foi dito,
como se o silêncio fosse um grito aflito.

E quando o sol se vai, eu me lembro
daquele adeus que nunca quis dizer,
o tempo que nós não tivemos,
a história que deixamos de escrever.

Agora caminho sozinho, sem rumo, sem fim,
por entre os fantasmas que vivem em mim.
Mas, se acaso a saudade ainda me encontrar,
que seja o teu nome que venha a me consolar.

Porque, no fundo, é isso que resta,
um amor que, por mais que se peça,
vive no eco, se perde na estrada,
mas que, em segredo, jamais foi embora.

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