Não somos os mesmos
Que tempos são esses de muros erguidos,
Onde a saudade do novo é constante?
Tantas almas errantes, corações distantes,
Presos ao medo que ecoa, tão vívido, palpável.
Lembra-se, amigo, do abraço sem fim,
Da amizade nascida em qualquer esquina?
Hoje há receio na troca de palavras finas,
Como se a esperança se extinguisse, enfim.
A política nos dividiu,
Um jogo sujo de poder e controle,
Onde nos inflmaram à guerra, açoites e chicotes,
E o o que o povo ganhou, um lado para culpar e esperanças destruidas.
Dividiram para conquistar, sorrateiros,
Nos jogaram uns contra os outros,
Desenhando fronteiras em nossos rostos,
Com promessas vazias, interesses traiçoeiros.
E a pandemia... Ah, essa chaga cruel,
Nos trancou em prisões invisíveis,
Onde o toque virou ameaça temível,
E a solidão ecoava num quarto de hotel.
O vírus veio como uma panela de pressão,
Onde revelou o melhor e pior, nervosos e estressados,
Mas o medo plantado, regado ao extremo,
Fez a distância virar o novo normal,
Separando o que antes era tão normal.
E agora seguimos, desconfiados,
Com olhares furtivos, passos travados,
Enquanto as sombras da ganância e do poder
Nos roubam a chance de juntos de conviver.
Que tempos são esses de laços rompidos?
Onde estão os sorrisos espontâneos,
As conversas de bar, os novos aliados,
Se tudo virou se decide por dois lados?
Podemos criar novos lados, mas nunca escolherei nenhum dos lados deles.
Talvez nos recuperemos da maldade,
Quem sabe o futuro traga esperança,
Mas por agora, vamos ser distantes,
E quem sabe, conversar por um celular.