Amiga Solidão

Não sei mais o que se perde.
Só restam os dias calados, as horas sem fim,
um vácuo onde havia vida,
presenças que se apagaram.

Restam promessas rasgadas, 
truque nas lembranças que revoltam.
Eu ainda vejo os pedaços espalhados,
mas ninguém volta para recolher.
Os olhares que nunca se cruzam,
os toques que não se completam,
ficam, soltos, como vestígios de quem partiu.

Eu insisti.
Abri portas, esperei respostas,
tentei ser abrigo amoroso, lutei.
Mas quem viria?
Quem nunca fica.

Cada partida,
cada ausência,
Levam sempre um pedaço de mim.
O que sobra?
Um eco seco,
Profundo desanimo,
E a velha solidão.

Caminho. Sempre sozinho.
O amor vem, o amor some.
Mentiras, desencontros,
e só resta esse silêncio angustiante.

Talvez seja isso,
minha sina:
ficar, quando tudo se vai,
esperar, quando ninguém mais volta.

E o que posso fazer?
Andar, com esse peso maldito.
Que ninguém nota, ninguém pergunta.
Só eu e a ausência,
sempre juntos.



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