Desde Antes de Nascer

Quando o silêncio preenche a sala
e os rostos, que antes sabiam onde pousar os olhos,
se voltam para lados que não conheço,
há uma ausência que fere.

Não é o corte agudo,
mas a constante dor de algo desalinhado,
algo que deveria ser certo e não é.

A espera é longa e o ar,
pesado demais para encher o peito,
traz consigo o peso de mãos que deveriam acolher.

Palavras não ditas, palavras ditas,
gestos que murcharam antes de nascer,
e um vazio de promessas.

O chão se desfaz sob os pés
e o que resta é caminhar sozinho,
mesmo em meio a muitos.

Há algo no fundo da pele que aperta,
como se o corpo soubesse o que a mente se recusa a ver.

E no eco de uma palavra afogada,
descubro o que é ser deixado,
sem nunca realmente partir.

Desde antes de nascer.


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