Poesia de Boteco
— Cara, tô cansado desse lance,
amor pra mim é jogo sujo.
Me entreguei de corpo e alma,
mas no fim, virei refugo.
— Ih, mano, tá assim por quê?
Coração partido faz parte do rolê.
Já caiu do skate, né? Levantou?
Então, no amor é igual, demorô.
— Pô, mas cair no amor machuca mais,
bate lá no fundo, parece que não vai sarar.
Essa dor parece eterna, sem fim,
como se amor fosse só ilusão pra mim.
— Ah, velho, tu só tá vendo a metade.
No amor, tem riso, tem lágrima, tem saudade.
Mas quem disse que a vida é só festa?
A dor vem, mas a gente cresce na fresta.
— Cresce? Sei lá, parece que diminui.
Eu dei tudo de mim, e olha aí, foi só... puft.
É como plantar árvore e não dar fruto,
me sinto pequeno, cara, e isso é bruto.
— Mas quem disse que o amor é só colheita?
Tem vez que o solo seca, mas na próxima espreita.
Cada erro, cada queda, ensina, mané,
é aí que a gente aprende o tal "quero quem me quer".
— Será? Mas o que adianta querer alguém?
Se, no fim, a pessoa some, vira desdém.
Só fica a lembrança, os momentos voam,
e o peito que antes fervia agora só ecoa.
— Ó, nem todo mundo vai ficar, é verdade,
mas não é por isso que cê larga a liberdade.
O amor é feito de tentativas, mano,
e às vezes, só em tentar, já vale o plano.
— Não sei, parece papo de otário,
de quem vive no sonho e foge do diário.
Na prática, o amor dói, machuca demais,
não sei se quero mais desses carnavais.
— E quem disse que amar é só festa?
Na real, amar é uma baita seresta.
Tem noite escura, tem dia de sol,
mas é ali que cê aprende a ser farol.
— Ser farol? Mas tô mais perdido que barco,
vagando à deriva, sem porto nem marco.
E esse papo de "perseverar", sinceramente,
é como correr na areia, não levo nada na mente.
— Talvez cê esteja se cobrando demais,
achando que todo amor precisa ser o cais.
Mas às vezes o amor é só passagem,
uma onda que vem, mas não é naufrágio.
— E se a onda leva tudo, o que sobra?
Só areia molhada e uma alma que choraminga.
Cê fala de crescer, de aprender,
mas no fim, o amor só parece perder.
— Perde quem para de acreditar,
quem esquece que amar é se aventurar.
É como voar sem ver onde pousar,
só que, meu chapa, é isso que faz a gente se reinventar.
— Se reinventar...
Talvez eu precise mesmo parar de chorar.
Mas, fala aí, e quando o coração tá vazio?
Como é que a gente enche de novo esse rio?
— O rio flui quando cê deixa ser,
quando cê para de lutar, de tentar entender.
Às vezes o amor não precisa ser lógico,
é só seguir o fluxo, meio que caótico.
— É, pode ser, talvez eu tenha tentado demais,
procurando respostas onde não tem sinais.
Mas vale a pena, então, continuar nessa estrada?
Se o amor é mar, já cansei de ser ancorada.
— Vale, mano, vale cada segundo,
mesmo quando parece que cê perdeu o rumo.
Porque amar, no fundo, é se deixar sentir,
e nisso, a gente acaba por se descobrir.
— Tá certo, talvez eu precise dessa pausa,
sentir o vento, deixar que ele cause.
Quem sabe o amor não seja só dor,
mas também uma forma de encontrar meu valor.
— Aí, agora cê tá começando a pegar,
o amor não é prisão, é mais sobre voar.
E se cê cair de novo, levanta, firmeza,
que amar, mano, é a própria beleza.
— Beleza, então, vamos nessa,
quem sabe o próximo amor não me atravessa.
Valeu pelo papo, tu é foda, irmão,
acho que agora tô pronto pro próximo avião.
— Demorou, é isso, segue o voo,
e lembra: amar é o melhor plano que cê já lançou.