O fim é outro início
Nos corredores ocultos da mente,
O silêncio fala mais do que mil palavras.
Cada respiração, uma chave,
Cada pensamento, um portal.
Não há promessa de luz no fim,
A jornada não é um trilho seguro.
É caminhar na noite, sozinho,
Sentindo as estrelas sob os pés.
O fogo que arde dentro não pede atenção,
Não brilha para o mundo,
Mas queima firme, lento,
Transmutando o que não se vê.
É na queda que se aprende o voo,
No vazio que se molda a essência.
Transformar-se é um ato solitário,
Um pacto silencioso com o invisível.
Aqui, o ar não traz respostas,
Mas perguntas que ecoam fundo.
As certezas se dissolvem como névoa,
E o que resta é a busca, sempre a busca.
A terra que pisas não é segura,
Ela cede e se reformula a cada passo.
Mas, ao moldá-la, moldas a ti,
Encontrando forma no caos que te cerca.
A água não purifica,
Ela apenas reflete o que és,
No movimento, na mudança,
No fluxo constante que não permite raízes.
E o éter, inalcançável,
Não é promessa de paz,
Mas de liberdade,
De ser além da forma, além do tempo.
Não há mestres, não há guias,
Só o eco distante da própria voz,
Que sussurra que tudo é passagem,
E a única permanência está dentro.
A magia não é o ato grandioso,
É o ato simples de se conhecer.
É o poder que não se exibe,
Mas que transforma a si mesmo, em silêncio.
E no fim, o fim é apenas outro começo,
Uma espiral que se desdobra,
Levando para longe,
Levando para dentro.