Apenas senti, e isso bastou

Um dia, sem esperar, senti.  
Não era como antes, nem como imaginei,  
mas algo diferente, tão simples que escapou das palavras.  
Foi como se o peso do mundo afrouxasse,  
sem aviso, sem pressa, apenas deixou ser.  
  
Me peguei atento a detalhes que nunca vi,  
um riso, gentilezas atravessando o caos.  
Sem promessas de eternidade,  
sem a perfeição que costumam dizer.  
  
Era real, quente, direto, viciante 
como quando se reconhece um cheiro familiar  
que há muito tempo deveria estar ali, mas só agora se percebe.  
  
Tudo parecia no lugar,  
não por algum plano, (o oposto)
mas porque, de algum jeito, sempre esteve.  
  
E então soube,  
não por certezas nem respostas,  
mas pelo jeito que o momento se desenrolava.  
O acaso, afinal, nunca foi cego.  
  
E assim, de repente,  
meu peito, fechado por tanto tempo,  
abriu sem alarde.  
Não precisei entender.  
  
Só senti,  
e isso bastou.
Finalmente.

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