Soneto da Incerteza

Que seja eterno enquanto dure a dúvida,  
Aquela que em teu peito faz morada,  
Que o amor seja o poema na madrugada,  
E a dor, a rima que nunca se muda.

Seja cada gesto um verso indeciso,  
No qual o olhar busca, mas não encontra,  
E cada sorriso, a esperança pronta,  
De que o tempo, enfim, revele o preciso.

Que seja inconstante como o vento,  
Esse sentir que arrasta e que acalma,  
E que a alma, no fim, aceite o tormento.

E se o destino for apenas lamento,  
Que reste a poesia gravada na palma,  
A eternizar o efêmero momento.

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