Do outro lado do rio
Remo em silêncio,
nas águas calmas da vida,
onde cada braçada é uma prece,
cada respiração, um passo lento.
Há uma luz que sussurra,
do outro lado do rio,
onde a esperança repousa,
além das sombras que conheço.
Meus pés tocam o frio da dúvida,
mas meus olhos vislumbram o horizonte,
onde o sol acaricia a pele da manhã,
e o coração, cansado, enfim repousa.
Não é o destino que me chama,
mas o caminho que percorro,
onde as margens se encontram,
no abraço sereno do tempo.
Carrego nas mãos o peso do passado,
mas é a correnteza que me guia,
para longe das correntes invisíveis,
para o outro lado, onde respiro alívio.
E ao cruzar esse rio da vida,
deixo para trás as pedras da dor,
e encontro, enfim, na outra margem,
o eco de uma canção,
que sempre foi minha,
enterrada no fundo do meu ser.
(Inspirado na música "Al otro lado del rio -Jorge Drexler)