Agosto em ponto alto

Em um dia estranho,  
a caneta falhou,  
o café esfriou,  
e o sol resolveu tirar férias,  
escondido atrás das nuvens mais cinzas da cidade.  
  
A vizinha, aquela do 302,  
decidiu que era hora de fazer yoga na varanda,  
com uma roupa que parecia mais pijama,  
e o carteiro trouxe uma carta errada,  
com o nome de um tal de João,  
que nem mora por aqui.

O gato da rua,  
que sempre foi de poucos amigos,  
resolveu miar como um tenor,  
acordando a rua inteira,  
e o relógio da sala,  
aquele herdado da avó,  
parou justo às 10:10,  
como se dissesse: "Chega por hoje".

No supermercado,  
fui comprar pão,  
mas só tinha um pacote de biscoitos,  
e na fila, alguém falava do tempo,  
como se isso mudasse algo.

A tevê, claro, resolveu dar pau,  
bem na hora da novela,  
enquanto o casal principal discutia  
por um motivo que nem eles lembravam mais.

Era um dia estranho,  
um dia sem explicação,  
onde até o calendário parecia confuso,  
pulando do dia 24 pro 26,  
como se o 25 fosse só uma lenda.  
  
E no fim da noite,  
quando o silêncio tomou conta,  
até o vento sussurrou:  
"Vai dormir que amanhã melhora."

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