Mãe e Filha Desunidas
Mãe e Filha desunidos é um relato de desfeixo triste sobre um atendimento de resolução muito triste.
As duas moças vieram ao atendimento, a mãe se queixa de mil questões dentre elas, namorado, carreira, família, ou seja, o pacote básico. A filha só se queixava da falta de proximidade com a sua mãe.
Ouvindo a mãe percebi com muita clareza uma confusão muito grande, um cambalear entre "quero ser correta" e "gosto da inconsequência".
Esse tipo de dicotomia é muito perigoso em um atendimento, muito delicado numa psicoterapia holística, porque ajudando a pessoa a enxergar indiretamente (fazendo ela mesma concluir) as consequências dos dois lados, ela ainda irá escolher sozinha qual lado irá querer...
No relato, a filha, menor de idade, já relatava crises de ansiedade durante as aulas no último ano do colégio, nos encontros com o namorado (que também virou meu cliente com seu pai em separados), choros por atenção de sua mãe em casa etc.
Esse caso me doeu bastante, passei o mesmo em minha vida...
Colocando as duas juntas na sala para se confrontarem em suas verdades e aplicando algumas especialidades em conjunto parecia que tudo ia dar certo, conseguimos chegar no coração da mãe e houve muita emoção, abraços, pedidos de perdão e choro. Foi realmente lindo.
Saí achando ter tido sucesso, tinha marcado para voltarem na semana seguinte. Porém o suceder não seguiu por este caminho de felicidade e cura.
A irmã da mãe, também minha cliente, me falou que a irmã não tinha mais polaridades, e que parecia haver escolhido, finalmente, seguir por apenas um dos lados e que esse lado não era o do amor, em seguida a mãe me diz que conversou com a filha e que não iriam mais nas próximas sessões.
A mãe havia optado pela inconsequência, olhou para a realidade de sua vida, para as suas atitudes boas e ruins e preferiu seguir pelas ruins, libertou o que havia de denso ao invés de conter, trabalho esse que todos nós temos que fazer na vida.
A filha, que já passa pela pressão grande do vestibular, hoje em dia, me pede ajuda nervosa e sozinha, e eu estou de mão atadas pelas escolhas.
Nota: O que chamamos de maturidade, responsabilidade etc são exatamente essas escolhas que a mãe teve que fazer, simplesmente ao controlar nossos impulsos primitivos e raciocinando sobre nossas vontades já estaremos melhor do que agindo pela nossa vontade e impulso, esse relato me trás uma reflexão e meditação grande sobre responsabilidade.
Paz e Luz Profunda.
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