Areia

Areia
Já chorei a dor de muita saudade, e hoje festejo a alegria dos reencontros. Marco os passos na areia que se apaga sob as alvas espumas, para não confundir os que vierem depois de mim. Na busca por esses horizontes eternos, perdi-me em meio a muitas coisas finitas, até parar de buscar tanto. 

Encantei-me com os efêmeros deleites, até que perdessem o sabor. Deixo-os ir, em paz, como oferendas que encontrarão melhor abrigo em algum outro lugar. De tudo o que a Vida leva, tanto a Vida me traz.
O tempo é memória ausente, quando a gota deste único momento é tudo o que me resta. Só me interessa o belo que antes eu não enxergava, tão entretido que estava, a apontar a beleza sempre em praias distantes.
Os rumores do mar me contaram que a outra margem é mais calma. Tanto nadei, que já estou nela. Atravessei incontáveis barreiras e soltei inúmeras mãos. Purifiquei-me do passado e do futuro, para receber de bom grado o presente. 

O bálsamo do perdão me liberta nestas praias e nada mais prende meus barcos. Vem a abundante chuva e me ensina a transbordar. Tal qual grão de areia, humilde, singelo, estou curvado aos pés do oceano. Bebendo dessa Felicidade imensa, livre, derramada.

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