Sinais
No segundo ou terceiro encontro, com peso na voz, ela revelou que jamais havia recebido uma flor. Levantei-me do barzinho sem pensar duas vezes e, em minutos, voltei com um buquê em mãos. A expressão dela, naquele momento, foi a mais linda que já presenciei, uma mistura de surpresa e encantamento que jamais esquecerei.

Quando decidimos dividir um lar, as flores tornaram-se um hábito. Eu as trazia com frequência, enchendo cada canto da casa com cores e perfumes, como uma promessa silenciosa de amor.
Mas o que aconteceu com as flores? Elas, como todas as coisas, foram mudando. Algumas murcharam com o tempo, outras perderam o brilho nas sombras do cotidiano. O encanto que traziam nas primeiras vezes se dissipou, talvez indicando amor esfriando, ou porque o tempo, às vezes, rouba o frescor dos gestos. As flores que antes enchiam o ar de presentes agora eram parte da mobília, quase invisíveis na rotina.
E, de repente, sem ninguém dar falta, parei de trazê-las. O sentimento ia se apagando, talvez tenhamos esquecido que o amor também precisa ser regado, precisa de gestos para não murchar.