Necessidade

As sombras se erguem, dança sem freio,
Lembranças ocultas no peito alheio.
Caminhos que fogem da luz que se vê,
Mas no escuro, eu me encontro, e é aqui que sou eu.

Os vícios profundos que moldam a pele,
Vozes de dentro, segredos que ferem.
O toque incerto, desejos carnais,
Deslizam na alma como mares voraz.

Em becos escuros, a vida se esvai,
Mas são nessas frestas que o sonho se faz.
Eu sigo perdido, mas sempre a andar,
Pois o caos é a ordem que me ensina a amar.

As necessidades da noite me guiam,
E o que me consome é o que me alivia.
No vazio há força, na dor há prazer,
Pois é nas trevas que eu aprendo a ser.

O silêncio que grita na escuridão,
Faz do medo a minha salvação.
Eu corro ao encontro de quem me perdi,
Nas sombras, enfim, eu volto a existir.

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