Uba, de novo
Eu estava no meu apartamento, afundado no sofá, recém-divorciado e pronto para esquecer a vida assistindo a um filme de ação com um bom whisky na mão. Meu plano era simples: afogar as mágoas em adrenalina cinematográfica e álcool. Mas, como sempre, eu subestimei minha própria capacidade de complicar tudo (risos de nervoso).
Depois de algumas doses e uma sequência de explosões no filme, comecei a pensar que seria mais divertido se eu tivesse companhia. Então, fiz a única coisa que parecia lógica na minha mente alterada: chamei os caras. João, Zeca e Paulão chegaram em tempo recorde, trazendo cerveja, mais whisky, e garrafa de rum que ninguém sabia de onde veio, mas que imediatamente se tornou a estrela da festa porque ninguém bebia isso, porém bebemos (risos). Esforço pra gostar do rum, depois me mantive no meu whisky, mas os caras... bem, eles se jogaram de cabeça na doideira.
O filme virou um borrão, e tudo o que lembro depois disso é de estar rindo feito um louco de uma piada sem graça do João. A próxima coisa que sei, "acordo" no volante de um Opala, dirigindo feito um maluco em alguma BR. "Cacete, que porra é essa?", tentando entender como saí do meu sofá para tão aleatório.
Olhei para o lado, e lá estava: João, muito doido com um tal cigarro fedido, atrás Zeca e Paulão, apagados ou, no mínimo, numa fase slowmotion de embriaguez. E cara, o porta-malas tava fazendo muito barulho, de batida e garrafas -que se foda, pensei. não sou eu que vai ouvir isso. (risos). Deu pra ouvir muitas garrafas também, - É o rum que compramos, disse João. De rum rolando pra lá e pra cá. -Puta que p..., falei para mim mesmo, sem entender nada de nada (risos).
A estrada ficou deserta, e eu comecei a sentir um frio na espinha. "Cara, a gente vai bater essa porra", desabafei a João. Decidi que era hora de parar antes que algo pior acontecesse. Com uma manobra que na minha cabeça deu certo, rodei o carro 180º, ao menos paramos no acostamento, sai do carro como quem sai do filme velozes e furiozos, até quando a tremedeira das pernas deixaram, João, muito doido ria alto disso.
Preferi João ao volante, ao menos ele tem habilitação (risos), no carona forçava memória e torcia a não ter comprado esse opala, Jesus...
"Chegamos? , disse João, Chegamos aonde animal?" Retruquei nos vendo numa parada de caminhoneiros.
Depois da "Larica com João" aceleramos o carro.
João, ainda com um sorriso bêbado, disse: "Eu achei que era uma boa ideia partir pra Uba em MG na hora lá."
Eu não sabia se ria ou chorava. Olhei para os caras e para as garrafas vazias, e então, como se a ficha tivesse finalmente caído, larguei o controle de mão, relaxei, gritei Foda-se e ninguem entendeu eu ter urinado pela janela, mas não ligava pra nada mais, nem mesmo racionalidade (risos).
Rir de toda essa loucura, de mim mesmo, da vida. Porque, na real, se não desse pra rir de tudo isso, qual seria loucura, né mesmo?
E passei para o banco de trás depois do retorno que fizemos, tentamos sim, tentamos muito o gps, mapa, sinal de fumaça com João e tudo mais, só consigo escrever esse texto agora. (jesus, risos). João reclama ao volante, revoltado, por não ter bússola no painel, foi consenso concordar com isso e qualquer outra coisa (risos). Estamos chegando, é surpresa, a maior de todas, vamos chegar e vai ser surpresa pra todo mundo mesmo, Zeca disse.