Nova Lenda
Entre nós, a Via Láctea se estende,
como a linha que separa Orihime de Hikoboshi,
um amor que só pode florescer em raros momentos,
quando o tempo é generoso e as estrelas se alinham.
Sou Selene, descendo todas as noites
para encontrar meu Endymion adormecido.
Nosso amor, como o deles, está preso em um ciclo eterno,
onde a luz e a escuridão se entrelaçam,
mas nunca despertam completamente do sonho que nos mantém.
Como Calisto, olho para o céu e vejo você, Árcade,
tão próximo, mas além do alcance,
presos numa órbita de desejo e dor,
onde o toque é uma promessa que nunca se cumpre.
Fugimos como Aretusa e Alfeu,
correndo por caminhos paralelos,
onde nossas águas se encontram,
mas nunca se misturam.
O destino, como um rio impiedoso, nos mantém separados,
mesmo quando nossos corações anseiam por se fundir.
E, como Orfeu buscando Eurídice,
desço às profundezas desse amor impossível,
onde cada passo em sua direção parece afastar-nos ainda mais.
Mas, ao contrário dele, não olho para trás,
pois sei que, mesmo na escuridão,
a luz de nosso amor é o que me guia.
Nossas histórias são costuradas pelas mesmas mãos do destino,
onde o amor resiste,
mesmo quando o universo conspira para nos separar.
E é nesse fio frágil que pendemos,
mantendo a esperança viva,
que, um dia, como em todas as lendas,
encontraremos uma forma de romper as barreiras,
e nos unir em definitivo,
como todas as histórias que ecoam nos corações apaixonados.