Evoluir Dói, Um Conto Mediunizado

EVOLUIR DÓI.
Rafael era um jovem que vivia como todo jovem da época, como todos no seu meio, sua rotina de estudos e noitadas nos finais de semana. E como almejava esses finais de semana, quase uma obsessão por mais uma sexta feira,e que  já havia associado as doses, tragos e investidas sexuais nesses períodos do mês.

Porém, aparentemente diferente dos seus amigos e familiares sentia a necessidade e
gostava de momentos para si, aonde podia estar com ele mesmo e se conectar com o
seu interior, mesmo que sem saber disso.

Numa dessas sexta-feira, a qual para ele, seria mais uma oportunidade para o que ele
chamava de “descanso” ou “viver”, no meio da multidão de pessoas dançando a sua
volta, seus amigos rindo, bebendo, comendo, conhecendo outras pessoas no interesse
sexual, se achou em um momento reflexivo que iria definir novamente o mundo de
suas ideias.

Rafael era uma pessoa que tinha valores firmes, se achava correto, de moral elevada,
conselheiro dos assuntos e de norte ilibado.

Mas nesse momento, como em câmera lenta, suas reflexões descontroladas de seu interior começaram a expandir sua consciência para os seus atos, seus caminhos, sua vida.

Nesse momento, parou de lutar a favor de orgulho e do ego e enfim admitiu que não bastava somente se achar íntegro, pois estava rodeado de impulsos sexuais atuando de forma irracional. Se achava são, mas estava ingerindo quantidades grandes de substâncias que alteravam seu humor e sua manifestação da consciência.

Foi se embora para casa sem se despedir com aquela revelação, recado aliais da sua
consciência maior.

Acordou no outro dia como quase não acreditando nos novos pensamentos, não
entendendo muito bem o que havia acontecido, porém as novas questões nele
permaneciam firmes e intactas.

Pensou e repensou em como racionalizar o que sentia e ainda mais, viu a possibilidade
de se reconstruir, construir novas características, pela repetição inteligente de seus atos e atitudes.

Logo no café, discutia e argumentava
maldosamente com sua gentil mãe.
 Na sua aula, como gostaria de ser perseverante, sentou-se pela primeira vez a frente ao professor, abandonando seus amigos do “fundão” e toda aquela distração. Precisa se esforçar. 

Na volta pra casa, não pensava mais sobre final de semana, bebidas, sexo e todo aquele conjunto.

Seu comportamento e atitudes mudaram, e foi percebido...

Seus amigos o chamavam, o questionavam, simplesmente não entendiam o que estava
acontecendo, não compreendiam seu interesse quando perguntado e respondido, não alcançavam o entendimento da sua procura, do seu despertar.

Para os outros, virou o chato, o fraco de bebida pois tinha parado de beber, o velho
cansado. 

Menosprezado e isolado pelas pessoas que achava ser suas amigas, contemplava sem arrependimento cada vez mais, com cada vez mais controle seus momentos de reflexão e expansão do entendimento de verdadeiros mistérios, como um peixe fora d´agua, desagradado percebendo os condicionamentos que a sociedade
enfrenta.

Rafael então, observou a sua volta e se deparou com as verdades por trás das fachadas dos anúncios, telenovelas, filmes etc, “tudo tem um formato padronizado e
impessoalizado de haver para se entregar em fórmula pronta, produto de entretenimento, passando do divertimento, tornou-se modelo guiado a ser seguido, aprendido e reproduzido.

Por tanto, com pais e tutores ocupados, são os novos educadores em massa da sociedade, a grande máquina do ensino da infelicidade.

Com essa nova visão do mundo e como ser humano nenhum é feliz na solidão, esse mal
o abatia cada vez mais. Essas visões alcançavam novos horizontes da existência, masera como um pássaro solitário em voo.


Buscando livros e ensinos novos, sobre o eu, sobre o ser, sobre o espírito e a alma, seus
interesses a essa altura já haviam se tornado completamente diferentes e sua família já
havia entrado no grupo de pessoas que o classificavam como esquisito, diferente e
deslocado, principalmente pelos seus novos assuntos nas reuniões.

Se perguntava se esse caminho realmente valia a pena, “quanto mais se sabe mais
triste se é o ser”, porém a evolução não tem retorno, o que se sabe se sabe, o que se
conhece é conhecido e não pode mais ser largado. É preciso conviver, compreender e
aceitar.

A sede de conhecimento, a vontade de entender os mistérios da vida e morte o
dominaram, titubeou numa rebeldia contra os paradigmas sociais, mas se firmou no
propósito que gostaria.

Tomando cada vez mais consciênte de sua vida, seus atos, do momento presente,
percebeu o quão terreno, falho e instintivo a sociedade abraçava e determinava.

Investigava seu íntimo para fugir desse padrão, desse controle, para crescer, evoluir.
Compreendeu os motivos que o levavam a inveja, ciúmes, raiva etc. Começou a
reprimir na tentativa de findar essa negatividade densa e com avanços.

“A sombra se cura dessa forma, de dentro para fora e também de fora para dentro, é
uno nas frentes de atuação. A dor da solidão, e da percepção da individualidade é a
moeda de troca da evolução, pois ao ponto em que começa a se perceber e se entender
se afasta do padrão, da sensação de pertencimento de grupos sociais padronizados, abrindo mão do uniforme e abraçando a si mesmo, se respeitando e finalmente SENDO. 

É paradoxal buscar o contrário, pois não me sinto só por ser fora do comum,
me sinto só, como consciência, por falta de costume de atuar como eu mesmo e
finalmente atuo verdadeiramente EU.”

Então finalmente poderia deixar de existir e começar a viver, achando cada vez mais pessoas no mesmo processo: se contemplando, se respeitando das formas mais profundas que podemos imaginar.

“É uma jornada linda, maravilhosa e enorme."

Eric Silva
Medianizado pelo espírito Gabriel Moraes, espírito Amigo e Espírito X. 

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